THE PRETTY RECKLESS ao vivo no Hellfest Open Air 2026

Avaliação de Concerto: THE PRETTY RECKLESS ao vivo no Hellfest Open Air 2026

Local: Clisson, França

Palco: Mainstage

Alinhamento de Destaque: Clássicos e a apresentação do novo álbum Dear God

O Hellfest sempre foi a terra prometida para as missas pagãs do rock pesado, mas em 2026, os The Pretty Reckless transformaram o festival francês no seu altar particular. Cercada pelos maiores telões de alta definição que a engenharia de palcos consegue conceber — que não paravam de exibir uma apresentação incendiária atrás da outra —, a banda subiu ao palco de Clisson sob uma ovação ensurdecedora, provando o quão querida é pelo público europeu.

Todos os integrantes surgiram vestidos de um preto rigoroso, servindo como a moldura perfeita para a entrada da vocalista. Taylor Momsen caminhou com a confiança felina de uma puma até à frente do palco, magnetizando instantaneamente as dezenas de milhares de olhares presentes.

A Performance: A Personificação da Deusa do Rock

Taylor Momsen já não é apenas uma grande cantora; ela atingiu um estatuto de estrela do rock 'n' roll à altura de lendas como Bon Scott, dos AC/DC. Inicialmente protegida por uma jaqueta de couro e calçando botas de cowboy pretas, a plateia lotada não conseguiu fazer outra coisa senão venerar a sua figura.

A catarse visual completou-se logo após a primeira música: Taylor despiu o couro para revelar um vestido de seda prateado. A partir daí, passou a percorrer o palco e a girar como um pião, personificando uma autêntica deusa do rock. Os olhares da multidão raramente se desviavam dela — uma mulher que consegue ser, em simultâneo, sensual, provocante, espirituosa, brincalhona e carismática. Num minuto, exibia a atitude de uma típica americana da Louisiana; no seguinte, transformava-se numa sedutora noturna, com uma aura que parecia regada a tabaco Gauloise e bom uísque.

O Som: Peso Preciso e a Estreia de Dear God

Enquanto Taylor cantava com a cabeça virada para o sol, soltando o seu timbre rouco e potentíssimo, a sua maravilhosa banda descarregava um rock 'n' roll moderno, pesado e cirúrgico. O ritmo pulsante de cada batida de bateria ancorava perfeitamente as guitarras distorcidas.

O grande trunfo do concerto foi o equilíbrio entre o catálogo clássico e a revelação de duas faixas do novo e muito aguardado álbum, intitulado "Dear God". Ambas as composições mostraram-se intensas e fizeram um uso soberbo da dinâmica do silêncio — uma assinatura da banda que dá ao público um breve respiro antes de a música regressar com força total.

A faixa "When I Wake Up" foi o exemplo perfeito desta mestria: a banda brincou com o silêncio por três vezes consecutivas. A plateia reagiu com entusiasmo elétrico a cada pausa, explodindo em aplausos e socando o ar assim que os riffs seguintes cortavam o ar quente do verão francês.

O Clímax: Virtuosismo e a Consagração de "Going To Hell"

Antes do assalto final, o guitarrista principal Ben Phillips assumiu o protagonismo com um longo e impecável solo de guitarra, beneficiando da acústica cristalina do impressionante sistema de som do Hellfest.

O encerramento com o hino "Going To Hell" foi o golpe de misericórdia. Embora a canção funcione no alinhamento como uma homenagem espiritual a "Hells Bells" dos AC/DC, o som é puramente The Pretty Reckless. O público descontrolou-se: bateram palmas, ergueram os dedos em riste e cantaram o refrão em uníssono com o grupo, criando um dos momentos mais bonitos e barulhentos desta edição do festival.

Veredito

Os The Pretty Reckless assinaram uma atuação histórica no Hellfest 2026. Ao abandonar o palco, Taylor Momsen deixou toda a plateia com a sensação dúbia de ter testemunhado uma pequena e deliciosa indiscrição francesa ou — a julgar pela camisola "Marry Me, Taylor" (Case comigo, Taylor) que um fã tentou desesperadamente impor-lhe — a certeza absoluta de um amor que durará uma vida inteira na música. O rock 'n' roll está bem vivo e veste seda prateada.

Destaque do Show: O jogo de tensões em "When I Wake Up". Controlar o silêncio perante uma multidão de festival de metal é uma tarefa hercúlea, e a banda fê-lo parecer fácil, gerando uma catarse coletiva inesquecível.

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